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20/08/2015

O presidente da Câmara afirmou que não renunciará ao cargo e deputados podem não pressionar para que ele saia

Após a Procuradoria-Geral da República denunciar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por corrupção e lavagem de dinheiro, surgiu a hipótese de que haveria um pressão na Casa para que o político renunciasse ao cargo. Mas, para a colunista de política da Rádio BandNews FM, Dora Kramer, o colegiado não tem autoridade moral para confrontar o denunciado.

Antes do anúncio da Procuradoria-Geral da República, a colunista conversou com Cunha para saber o que ele faria na possibilidade de ser denunciado. O presidente da Câmara disse que não faria nada e que não se sentiria constrangido pelo fato de existir, na Casa, 166 deputados investigados e 32 réus. “Do ponto de vista político, é claro que tem um grande arranhão, mas, do ponto de vista objetivo, o fato de ele ser investigado, não muda nada”, afirmou Dora Kramer.

Cunha: o que acontece se o deputado virar réu

Ela declarou que esta é apenas uma leva das denúncias e que uma nova fase de apurações da Operação Lava Jato terá como foco os políticos com foro privilegiado. “A medida que outros nomes forem aparecendo, evidentemente que o prejuízo político em cima de Eduardo Cunha fica diluído”, segundo Dora Kramer.

A Procuradoria-Geral da República denunciou o presidente da Câmara e o ex-presidente da República e atual senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) por corrupção e lavagem de dinheiro nesta quinta-feira.

Os dois políticos são investigados na Operação Lava Jato da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Mas como ambos possuem foro privilegiado, o caso será analisado pelo STF, que vai ponderar se as acusações procedem ou não. Só se a denúncia for aceita é que os parlamentares se tornarão réus em uma ação penal.

Mesmo que isso se concretize, a atuação política do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, poderá continuar sem empecilhos. "Ele continua no cargo, só a condenação gera consequências em relação ao mandato e a consequente perda dos direitos políticos. O simples fato de ser oferecida a denúncia não interfere no exercício do mandato", explica o advogado Ulisses Sousa, ex-procurador geral do Maranhão e membro do Conselho Diretor do CESA (Centro de Estudos das Sociedades de Advogados).

Fonte: Band