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28/09/2017

Falar em inteligência artificial na advocacia pode até causar desconfiança em alguns profissionais, sobretudo, àqueles que ainda não estão tão acostumados com o uso das novas tecnologias. A desconfiança de que serão substituídos pelo computador ou que os postos de trabalho irão diminuir, são alguns dos receios. Mas, será mesmo que a tecnologia poderá substituir o advogado? O especialista em direito digital e Internet Law, Alexandre Atheniense, fala sobre o impacto da inteligência artificial na advocacia.

Hoje, o mundo todo vive a era digital. O uso da tecnologia foi incorporado em praticamente todas as profissões que estão, cada vez mais, deixando o papel de lado para utilizar plataformas que auxiliam e dão mais agilidade às atividades mais corriqueiras. De acordo com Alexandre Atheniense, na advocacia não é diferente. Os tribunais já estão digitalizando os processos, as audiências e intimações ocorrendo via aplicativo de conversas em smartphone, e esse é o futuro. “É o que sempre falo, você tem que criar talento nas pessoas da sua equipe para que saibam lidar com a informação desapegada dos papéis, ninguém está preparado ainda para isso”, observa.

Insegurança
Para o especialista, a questão da insegurança de alguns profissionais em adaptarem-se à nova realidade, ocorre mais por desconhecimento. “Isso precisa ser refletido para poder enfrentar a situação. Inteligência artificial é essencialmente multidisciplinar, serve tanto para o direito como para medicina, diversas áreas. É um subsídio relevante que os advogados têm que descobrir quais as vantagens dessa ferramenta para poder ter mais conforto, mais efetividade, porque nós estamos vivendo, hoje, num período que nós chamamos big data. Um grande volume de informações sendo gerada diariamente por 93% dos tribunais do Brasil, muita informação não significa conhecimento, então você precisa ter sistemas que aprendam com esse grande volume de informação e forneça subsídios para que você possa aprimorar sua atividade na elaboração de suas peças, seja para o advogado, magistrado, para que isso faça sentido em termos de rapidez de processamento e que a gente consiga ter sempre um trabalho de melhor qualidade”, explica.

Substituição
Sobre a desconfiança de advogados que acham que a implantação de ferramentas tecnológicas irá substituí-los, Alexandre Atheniense afirma que esse pensamento é equivocado. “O computador não substitui o advogado. Algumas funções exercidas pelo advogado talvez perca o sentido, mas vão ter outras, então nós não temos que achar que isso vai acabar com a advocacia, que vai ter perda de emprego, esse tipo de coisa, pelo contrário, a gente tem que enxergar que isso é um caminho sem volta. Quanto mais os tribunais estão informatizados, maior a necessidade dos advogados se alinharem com eles, em termos operacionais”, afirma.
Para o advogado, a informatização também atende às necessidades dos clientes que sempre querem estar bem informados e terem uma comunicação mais próxima com seus advogados, bem como é favorável para uma justiça mais célere.

Barreira cultural
O especialista acredita que a parte fraca do uso da tecnologia é vencer a barreira cultural do uso do papel. “Treino minha equipe todo dia para trabalhar sem papel. A produtividade é bem maior, todo mundo trabalha recebendo informação, compartilhando e editando, se fizer isso tudo dentro de uma única plataforma digital melhor será. O que atrapalha muitas vezes até culturalmente falando é quem trabalha uma parte no digital outra no papel, isso é terrível. Vai ter que escolher e o digital é muito mais dinâmico”, conclui.

Para o advogado e presidente do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados – seccional Ceará, Andrei Aguiar, a expectativa é que os escritórios de advocacia comecem a implementar uma cultura de gestão e eficiência. “A inteligência artificial nos escritórios de advocacia é um dos temas mais relevantes para o desenvolvimento da advocacia. Eu diria que a inteligência artificial veio para revolucionar a advocacia e mudar o quadro presente, não que vai acabar ou faltará mercado ou colocação para os advogados, mas vão ter que se adaptar às novas realidades e outras funções vão ser criadas a partir daí. Precisamos estar preparados para essas mudanças”, opinou.

Fonte: O Estado do Ceará