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09/10/2018


 
 

Em todo processo seletivo, pessoas extremamente talentosas e competentes são rejeitadas ou mesmo ficam de fora dos processos de recrutamento e seleção. Na porta de entrada de toda organização, os vieses inconscientes estão ali. Expressões que ouvimos todos os dias como “amanhã é dia de branco”, “isso é trabalho de mulherzinha”, “isso é coisa de viado”, carregadas de preconceitos, tem impacto direto em como enxergamos potenciais candidatos para uma vaga.

O perigo, como lembra Tabata Contri, consultora de Inclusão de Profissionais com Deficiência nas Organizações da Talento Incluir, está em levar uma característica da pessoa e desconsiderar todo o resto.  “A deficiência, a raça, a orientação sexual, gênero, idade, religião: isso é só uma característica da pessoa, porque ela é um universo. Mas pode ser o que a exclui de uma oportunidade de emprego”, lamentou, durante o  Fórum de Diversidade da Amcham-São Paulo, em 27/9.

Recrutamento e diversidade

E como evitar com que isso aconteça? Organizações como o Nubank e TozziniFreire compartilharam algumas iniciativas relacionadas a isso.

Algo que é comum entre essas empresa e que também é uma tendência é sair da posição de passividade e partir para ações que atraiam pessoas que geralmente não chegam nem a participar dos processos. No Nubank, por exemplo, que é uma empresa pautada em tecnologia, o desafio está em encontrar diversidade em um mercado de trabalho muito homogêneo, segundo Ana Paula Vargas Maia, Brand Manager do banco. Promover encontros sobre mulheres no mercado tecnológico, por exemplo, ajuda a empresa a abrir seu escopo de candidatas.

Outro processo que tem ajudado é fazer uma parte do processo seletivo de maneira anônima. A parte de avaliação dos exercícios técnicos exigidos para as vagas é corrigida pelas equipes sem que haja qualquer identificação do candidato. Isso ajuda a garantir igualdade na análise técnica dos participantes do processo seletivo.

Na TozziniFreire, Vladimir Abreu, sócio na área de Negócios Imobiliários lembra que o escritório já tinha uma tradição de inclusão, mas que perceberam a necessidade de vocalizar tais ações. “Com esses temas de diversidade, é importante ser vocal, tem que dizer o que faz. É isso que traz reconhecimento dos melhores lugares para se trabalhar. Se você tem isso em seu DNA, coloca como um traço de cultura organizacional, funciona. Não adianta fazer algo se você não acredita naquilo”, indicou.

O escritório é um dos apoiadores do Projeto Incluir Direito, organizado pelo CESA (Centro de Estudos das Sociedades de Advogados). A iniciativa, realizada na Universidade Presbiteriana Mackenzie, ajuda a capacitar, qualificar e preparar estudantes negros para processos seletivos. Atualmente, menos de 1% do quadro profissional das associadas do CESA é formado por negros.

Inclusão de fato

Qual é o efeito da exclusão em uma pessoa? Um estudo científico, mapeando o cérebro, conseguiu identificar que, quando uma pessoa se sente excluída, a parte do cérebro ativada é a mesma que percebe a dor física. “A diferença é que a dor física cicatriza, enquanto a emocional não. E gente com dor não produz”, resume Contri.

Por isso, apenas montar times diversos não é o suficiente, se aquele ambiente não é confortável para todos. Maia lembra que é por isso que trabalhar apenas na porta de entrada não basta. O banco também trabalha junto a consultorias, realiza treinamentos e discussões internas sobre, para que grupos minorizados entendam que aquele é um ambiente seguro.  “Só trazer diversidade não é suficiente, precisa garantir com que elas cresçam naquele ambiente. Nenhum lugar é 100%, mas é nosso papel que ele seja um pouco mais seguro do que ontem”, reforçou.
Fonte: 
 Amcham Brasil - SP