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08/02/2019
O projeto já está em seu terceiro ano e auxilia jovens negros estudantes de Direito na capacitação para os processos seletivos dos grandes escritórios.

Uma pesquisa feita pelo IBGE em 2016 mostra que o Brasil ainda está muito longe de se tornar uma democracia racial. Dentre os fatores que podem aumentar a desigualdade social, a cor da pele ainda é determinante para as oportunidades que as pessoas podem ter ao longo da vida. Os dados não mentem e mostram que, em questão de educação e trabalho, a população negra e parda está em desvantagem quando comparada aos brancos:

tLegenda: Fonte: IBGE. Estatística de 2016.

O cenário jurídico, obviamente, não foge à triste realidade brasileira. Um levantamento informal realizado em 2016, junto a alguns dos escritórios associados ao CESA - Centro de Estudos das Sociedades de Advogados, demonstrou que menos de 1% de todo o quadro profissional é composto por pessoas negras. Diante desse cenário, "alguma coisa precisava ser feita", afirmou Carlos José da Silva, o Cajé, presidente do CESA.

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Daí nasceu o projeto Incluir Direito, um compromisso de mudar essa realidade fornecendo desenvolvimento educacional e pessoal para que jovens negros participem em condições de igualdade nos processos seletivos para ingressar nas sociedades de advogados.

O slogan do projeto leva o compromisso de uma advocacia mais diversa e inclusiva. Para isso, o CESA, junto com o envolvimento e patrocínio de diversos escritórios de advocacia, em parceria com o Instituto Presbiteriano Mackenzie, estão trabalhando para que os jovens negros estudantes de Direito tenham maior índice de aprovação nos recrutamentos.

O presidente do CESA esclarece que esta iniciativa nasceu como um projeto piloto, que já está em seu terceiro ano. Até então, o trabalho foi feito com um grupo de 25 alunos, que em sua maioria, já estão estagiando em escritórios associados ao CESA.

Cajé explica que o tema é debatido durante as reuniões com os associados e é levado, em formato de palestras, para os escritórios e clientes.

 "Um dos pontos mais importantes desse projeto foi a conscientização de todos sobre o problema racial em nosso país (...) Estamos todos em um processo de aprendizado."

Diversidade étnica

O advogado Paulo Rogério Sehn (Trench Rossi Watanabe) é um dos membros do Conselho Diretor do CESA e esteve envolvido no projeto desde o início. Ao contar sobre a importância do Incluir Direito, o causídico explicou que os alunos recebem reforço de disciplinas como português, redação, inglês e têm aulas e debates sobre a conjuntura e realidade do negro no país.

"Preparar o aluno para que ele se qualifique para se submeter aos processos seletivos dos grandes escritórios."

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Paulo Rogério não esconde a satisfação dos frutos do projeto: todos os escritórios patrocinadores da iniciativa perante o CESA já contrataram alunos do projeto. "Esses alunos já estão inseridos nos escritórios e estão tendo a oportunidade de se desenvolver profissionalmente", ressalta.

O advogado fala sobre os planos ambiciosos para o Incluir Direito. Os envolvidos querem expandir a iniciativa para outras instituições de ensino e levá-la para fora do Estado de SP, para outras seccionais do CESA. Mais adiante ainda, Paulo Rogério diz que o plano é levar o projeto para outras profissões liberais.
Fonte:
 Migalhas - SP