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23/03/2020
Projeto visa a incluir estudantes de ações afirmativas nos escritórios de advocacia
 
Para Flávio Roberto Batista, alunos não ocupam esses cargos em razão de barreiras sociais ligadas a cor e raça


 
A Comissão de Graduação da Faculdade de Direito da USP, junto ao CESA (Centro de Estudos das Sociedades de Advogados) e ao Projeto Arcadas, criou o projeto Incluir Direito, que visa à inclusão, em processos seletivos de escritórios de advocacia, de alunos autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPI). “É um desafio recente, vindo com o início da política de reserva de vagas. Percebemos que havia uma baixa percentagem de advogados e sócios negros em escritórios”, conta Flávio Roberto Batista, professor do Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP, ao Jornal da USP no Ar. 
 
Batista comenta que o objetivo do projeto é diminuir as barreiras ligadas à cor e raça, o que nas pesquisas e estudos chamam de racismo estrutural. “Na prática, dez estudantes serão selecionados para passar por oficinas de treinamento de habilidades que recém-contratados em escritórios têm, a fim de que ganhem vantagens competitivas”, explica. 
 
“A criação do processo foi dialogada com os estudantes, a fim de capturar suas demandas, não apenas relacionadas a acesso e ingresso”, comenta o professor. Além da preparação desses alunos, há uma  tomada de consciência que deve vir dos escritórios, cujos departamentos de recursos humanos também precisam estar preparados para saber lidar com o Direito em relações raciais, que é inclusive o tema de uma das oficinas. “É uma relação bilateral entre o projeto e os escritórios”, pontua  Batista. 
 
Em relação a como isso se reflete na faculdade, Batista diz que há pouca oposição a políticas afirmativas, já que “nesse projeto atuaram não apenas os coletivos de estudantes negros, mas também a representação discente e o Centro Acadêmico XI de Agosto”, completa. Por fim, o professor reitera que o projeto almeja a remoção de obstáculos para os estudantes negros: “Temos que tirar da cabeça que os alunos de políticas afirmativas têm dificuldades, porque não têm. Eles não estavam ocupando esses lugares em razão de barreiras objetivas sociais”, finaliza o professor. 

Fonte: USP - SP