Responsabilidade social nas sociedades de advogados

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Responsabilidade social nas sociedades de advogados

Boa tarde!

Inicialmente, gostaria de agradecer a todos os que aqui comparecem para tratarmos de assunto da maior relevância para o Comitê de Advocacia Comunitária e Responsabilidade Social do CESA, que é a responsabilidade social nas sociedades de advogados.

Não é necessário trabalhar com o terceiro setor para perceber que, cada vez mais, as empresas estão se conscientizando —e sendo cobradas pela sociedade— em relação aos impactos sócio-ambientais de suas atividades. Se por muito tempo bastava ao empresário “centrar foco no cliente”, hoje esse chavão não é mais suficiente para assegurar o êxito de seus negócios. A preocupação com o cliente continua sendo, evidentemente, fundamental; mas sem uma atenção cada vez maior aos vários públicos que impactam ou são impactados pela ação empresarial (como os empregados, as comunidades circundantes ou o próprio Estado, dentre outros) dificilmente uma organização terá condições de prosperar, de forma sustentável, neste novo ambiente do século XXI.

Nesse cenário, são cada vez mais comuns ações planejadas, estruturadas e sistematizadas de responsabilidade social, voltadas tanto ao público interno da empresa (o que envolve medidas como a absoluta observância dos parâmetros trabalhistas internacionais, a harmonização de ambientes de trabalho, ou a participação qualificada dos empregados nos processos de tomada de decisão) quanto ao seu público externo (a exemplo do uso racional de insumos, o planejamento de impacto ambiental das ações empresariais, ou a adoção de critérios de responsabilidade social nos processos de escolha dos fornecedores).

Percebe-se, ainda, que muitas empresas têm dado um passo adicional, no sentido de destinar parte de seus recursos materiais ou humanos para projetos de interesse público —muitos dos quais executados em parcerias com organizações do terceiro setor. É o que tem se chamado, no Brasil, de práticas de investimento social privado.

As sociedades de advogados têm um papel importantíssimo a cumprir nesse movimento. E isso por duas principais razões.

De um lado, grande parte das sociedades estão, atualmente, estruturadas como verdadeiras empresas —o que, per si, é um fenômeno altamente positivo, que apenas atesta a maior profissionalização e desenvolvimento do setor advocatício. Mas essa elevada dimensão não pode ser exercida sem uma percepção e um compromisso com o ambiente social e ambiental em que ela está inserida. Desse modo, a elaboração e implementação de uma política de responsabilidade social e de investimento social privado nas sociedades de advogados é uma condição importante para que a atividade advocatícia continue a ser valorizada pela sociedade brasileira. A advocacia pro bono, não há dúvidas, é um componente central dessa política; mas não a única, como iremos ver.

De outro lado, as sociedades de advogados, na medida em que estão em direta interação com um amplo conjunto de organizações dos vários setores e indústrias, podem exercer um papel estratégico na sensibilização e aconselhamento de seus clientes em relação à importância da responsabilidade social empresarial.

Pois bem. A fim de enfrentar essas questões, o Comitê de Advocacia Comunitária e Responsabilidade Social se propôs, como meta de trabalho neste segundo semestre de 2007, o desenvolvimento de um projeto sobre a responsabilidade social nas sociedades de advogados.

Essa iniciativa —que contou imediatamente com a receptividade e entusiasmo do Diretor-Presidente do CESA, meu amigo Antonio Meyer, bem como do especial apoio do Instituto Pro Bono, aqui representado pelo nosso velho conhecido Marcos Fuchs— envolve diversas atividades, tais como a elaboração de um encarte especial na Revista do CESA ou a realização de uma pesquisa prévia para identificar o atual “status” da responsabilidade social nas sociedades afiliadas ao CESA.

Mas não teríamos como dar início a um projeto desse porte sem contar com a colaboração daquela que é uma das principais organizações, no Brasil e no mundo, de promoção da responsabilidade social empresarial: o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.

Com essa idéia em mente, fomos há alguns meses procurar o Diretor Executivo do Instituto Ethos, meu também amigo —e nosso especial convidado de hoje— Paulo Itacarambi. Paulo não apenas nos recebeu com a cordialidade e elegância que tanto marcam sua personalidade, como prontamente se dispôs a estar animando e qualificando este debate, trazendo todo o conhecimento e experiência acumulados pelo Instituo Ethos para o âmbito do CESA.

Paulo Itacarambi é engenheiro civil, mestre em administração pública e especialista em planejamento estratégico e coaching organizacional. Além de Diretor Executivo do Instituto Ethos, já atuou como professor universitário na Universidade Federal de São Carlos, consultor em planejamento e administração, diretor de empresa de consultoria Oficina Consultores Ltda., presidente do Conselho de Administração e diretor-presidente da empresa pública Anhembi Turismo e Eventos da Cidade São Paulo. Foi fundador e conselheiro da ONG Instituto Polis.

É com imensa satisfação e alegria, portanto, que recebemos, neste fim-de-tarde, o Diretor Executivo do Instituto Ethos —organização que reúne nada menos do que 1.243 empresas, unidas em prol das melhores práticas de responsabilidade social— para compartilhar conosco algumas reflexões que serão fundamentais para orientar a nossa atuação coletiva em favor de uma advocacia que, sem perder o seu compromisso com a eficiência, torne-se cada vez mais humana e solidária.

Com a palavra, pois, o nosso convidado de hoje.

Muito obrigado, Paulo.